José Roberto tem um sonho. Ele quer ser engenheiro florestal e ganha cerca de 10 reais por dia engraxando sapatos em Itaituba. Ele auxilia o pai que vende galinha na feira a pagar as despesas da casa.
Aos 11 anos, o menino que mora em Miritituba – a margem esquerda do Tapajós e de frente para Itaituba, já conhece a dor da perda. Há dois anos ele viu dois irmãos morrerem. Um foi assassinado e outro teve uma grave doença.
A noite itaitubense esconde o rosto de muitos meninos como José Roberto, mas ela não apaga sonhos e nem vontades. Por que ele quer ser engenheiro? ‘Para cuidar da natureza’, resume em poucas palavras.
Um homem pediu que limpasse os seus sapatos e pagou dois reais pelo serviço. O menino comprou o pastel e dividiu no meio com um colega de profissão, Wilder Alves, um ano mais velho e também morador de Miritituba.
Serviço feito e os dois saem apressados para arrumar mais uns clientes antes de partirem na balsa das 21 horas que atravessa o rio até o lado esquerdo do Tapajós.
José Roberto ainda vai estudar para a prova de geografia de amanhã quando chegar em casa depois de 12 horas de trabalho.
Texto feito na noite de 24 de setembro de 2008, em Itaituba (PA). É por José Roberto e outros meninos e meninas que essa revista foi idealizada e para que a sociedade passe a enxergá-los como crianças e adolescentes portadores de direitos e deveres. Mas sobretudo como possuidores de sonhos…sonhos


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