Por meio da comunicação, é possível chamar a atenção dos atores sociais e dos gestores públicos para as questões prioritárias em relação à infância e a adolescência, e estimular o debate mais amplo sobre as soluções e ações possíveis. (CAL, PRADO e TORRES, 2008)
Os observató
rios de mídia são espaços compostos por profissionais que tem a agenda pautada pelos assuntos envolvendo crianças e adolescentes e o tratamento que a mídia dispensa a eles, abordando temas que vão desde saúde até a violência, sejam como vítimas ou agentes de atos infracionais. Muitos são os argumentos apontados por esses profissionais para a sobrevivência desses espaços, que na maioria das vezes não possuem vínculo com o Estado e dependem de verbas do poder privado para se manterem.
Entre os objetivos desses observatórios está o de estimular jornalistas a trabalharem o tema dos direitos da infância e da adolescência com mais freqüência, aumentando o número de denuncias, debates e reflexões sobre a problemática envolvendo esses personagens. Como resultado, espera-se o respeito aos direitos das crianças e dos adolescentes, a legitimação do ECA e a concretização do papel da mídia enquanto parceira dos direitos humanos, formadora de opiniões e contribuinte na construção da cidadania.
A presença de crianças nos jornais de informação geral dá continuidade à expressão vitoriana de que são mais para serem vistas do que ouvidas, silenciadas que são suas vozes por contraste com a freqüência com que aparecem os seus corpos. (CAL, PRADO e TORRES, 2008)
Quando as publicações tem como temática a criança e o adolescente, faz-se necessário que o jornalista busque embasamento fundamentados nos direitos desses personagens, garantindo a integridade e promovendo o debate de temas relevantes para esse público. Na busca pela sensibilização dos jornalistas e reflexão junto a sociedade, os observatórios por vezes se deparam com temas que vão além do conceito jornalísticos e que enveredam pelo campo da filosofia. Entres eles, é possível destacar a Ética enquanto fator importante para a abordagem desse tipo de temática. Entrando em confronto aqui a liberdade de informar e o direito de meninos e meninas de terem sua imagem preservada mediante suas atitudes, uma vez que o ECA não atua apenas na garantia dos direitos fundamentais, como saúde, educação, lazer e proteção, mas também no acompanhamento desses personagens em casos em que estejam envolvidos em atos judiciais, policiais e administrativos a que se atribua autoria de ato infracional.

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